Falar aos quatro cantos que está feliz é tão gritante quanto dizer "sou depressiva".
sábado, 18 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Caipira
TaRde!
Acho que o que mais me incomoda quando viajo para o Nordeste e para o Rio é ouvir que paulista não gosta de nordestinos e que paulixta é tudo de ruim. Para ser bem objetivo, se as pessoas soubessem a diferença entre paulista e paulistano as coisas ficariam bem mais claras e menos enfadonhas. Para entendermos melhor quem é quem, o primeiro remete ao sujeito nascido no estado de São Paulo, enquanto o segundo é o nascido na cidade de São Paulo. Portanto, todo paulistano é paulista, porém, nem todo paulista é paulistano.
São Paulo, capital, pode ser A Capital, mas não é O Estado de São Paulo todo. Aliás, o único "lugar" que ainda preserva traços de uma Cultura (ainda que in vitro) do que fora o estado de SP é o Interior. O cosmopolita, paulistano, remete a outro sujeito, o da metrópole, um sujeito multifacetado culturalmente, em sincretismo constante, mas não ao paulista original.
Quando disserem que paulista não gosta de nordestinos, não se esqueça que o paulista também é gente simples e humilde do interior do estado, e não tão somente o cosmopolita da capital. Portanto, paulistano é da capital, e Paulista é do Estado.
O paulistano tende a centralizar toda sua percepção de mundo no contexto da capital, ignorando a realidade de seu próprio estado; pelo menos as gerações mais recentes.
Como se não bastasse todo esse desconhecimento e confusão, o sujeito interiorano de SP é tratado e visto como uma figura folclórica, quase mítica, o dito caipira. Porquanto, vamos esclarecer alguns equívocos.
Isso é um caipira de verdade, de raíz, original:
Caipira Picando Fumo do pintor de Itú, Almeida Junior.

E isso é uma figura estereotipada que não confere com a realidade em tempo algum; "sertanejo-pop-universitário-esporádico-teen". Produto da mídia. Dá revertério só de olhar. É um tipo de Restart neo-caipira:
E abaixo, os maiores representantes da cultura caipira no país todo: Tonico e Tinoco. Consagrados por sua autenticidade, simplicidade, originalidade e carisma.
Música caipira não deve ser confundida com música sertaneja, mesmo porque não há sertão no estado de São Paulo.
É certo que a imigração massiva de italianos "estragou" o Português da região, mas também ajudou a criar um sujeito sincrético, novo. A exemplo disso, palavras como "pregunta" e "despois", presentes no vocabulário do dito matuto compunham a norma culta do Português dos últimos bandeirantes, que se fixaram no interior de SP.
O sotaque interiorano de SP pode parecer engraçado para o "forasteiro", assim como o sotaque carioca soa irritantemente chiado para outrem. Bem, cada um na sua, mas com alguma coisa em comum.
Um caipira interpretado pelo ator e cineasta Amácio Mazzaropi, numa comédia.
Havia também um folclore riquíssimo do interior de SP, já quase completamente esquecido. Lembro da minha avó, irritada, me chamando de Cavalão das Almas quando eu aprontava alguma traquinagem:
No estado de São Paulo, o Cavalo das Almas anda pelas estradas em busca de pessoas recém-falecidas que o esperam nos moirões das porteiras. Quando as encontra, elas montam em sua garupa e, então, partem juntos para local desconhecido. Fonte: Fantastipedia
As histórias de assombração eram assustadoras. O Exorcista era fichinha!
Agora me diz: depois da globalização, onde é que pode-se encontrar um caipira de verdade hoje em dia? Em causos? No imaginário coletivo do paulista da metrópole?
Tá vendo, nem tudo em SP é poluição, stress, crime e violência. E ainda sabemos que abacaxi não dá em árvores e que galinha não tem dente.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Monólogo da Caneca 7
"De fato, prefiro Os Três Porquinhos,
a história faz sentido, acaba bem
e nenhum gay, apóstata, ateu ou satanista se fode"
(Deb)
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Rotina de Comissário de Voo
Na Aviação é sempre uma incógnita saber com quem passaremos uma programação de voo. Sempre nos surpreendemos em algum momento dela: na apresentação no Despacho Operacional, no Breifing, durante o voo ou até mesmo nos pernoites. Por vezes nos vemos entre pessoas variadas - gentis, grosseiras, inteligentes, estúpidas... -. O que nos força a sermos mais humildes diante da vida como também pode nos empurrar para o outro lado, tornando-nos rabujentos, reclamões e deslumbrados.
A cada tripulação, a cada programação, a cada grupo de passageiros tudo se reconfiigura tornando cada voo uma experiência singular.
Conhecer pessoas e lugares novos frequentemente, a cada pernoite, pode nos colocar em contato com outros níveis da nossa "humanidade" assim como nos deixar cegos pelo deslumbre de uma vida que outrora fora espaço do requinte e do glamour.
Entristecer-se ao ver um céu siena de tantas queimadas ao sobrevoar a região amazônica... enfrentar rotinas extenuantes ditadas pela "nova aviação", mas compensadas pelos sabores da existência. Um prato cheio para quem um dia já tocou o céu com a mente e agora o faz com a vida. Privilegiados aqueles que imaginam o espaço para além da troposfera, pobres aqueles que tendem a resumir suas reles vidas a bordo de pedaços de metal que voam. Por vezes voar com pessoas do bem, comprometidas com o trabalho assim como conviver com criaturas mimadas. Aprender com pessoas que abandonaram suas antigas profissões para alcançar uma vida financeira melhor, ou que nunca fizeram algo diferente, mas que ainda assim amam o que fazem. Porém, inevitavelmente, há aqueles que, ingratos, apenas reclamam do que jamais teriam do lado de fora.
Uma vida de relações rápidas e superficiais... Mas e daí? Seres humanos estão sempre insatisfeitos!
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
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